Voando Alto contém mensagens positivas para as crianças

As animações já fazem parte do mundo cinematográfico desde os anos 1930 e este é um dos gêneros que mais evoluiu em quase 100 anos, seja técnica ou artisticamente e essa evolução é notável não apenas na qualidade dos filmes, mas na quantidade de exemplares do gênero que sai todo ano, mas no número considerável de estúdios que desenvolveram a técnica da animação.

            Embora ainda exista uma soberania da Disney, há outros estúdios, até com propostas diferentes e quem ganha com isso é o espectador.

            E é neste cenário que chega a animação Voando Alto: feita por um estúdio de menor tradição, mas que merece uma atenção por parte do público e crítica.

É um filme com muitos méritos, que dificilmente será lembrada pelos próximos anos, mas que possui uma fórmula irresistível aos menores.

            A história é simples: Manou é uma andorinha que foi adotada por um casal de gaivotas, não consegue se adaptar a este último grupo, até que fica dividido entre as suas duas “partes”.

            Não vai ser difícil se identificar com a história de Voando Alto, afinal, quem nunca sentiu que não fazia parte de uma família ou um grupo. Quem nunca se sentiu reprimido por não conseguir acompanhar o ritmo dos colegas? Em um ambiente escolar, por exemplo, isso é muito comum.

As cenas das aulas de voo das gaivotas são um retrato disso, embora sejam momentos desnecessários se levarmos em conta que uma ave não precisa “aprender a voar”, mas que trazem uma boa metáfora para a vida humana.

            Mas estas não são as únicas lições que vemos ao longo dos 90 minutos de projeção: além desta clara inspiração nas histórias do Patinho Feio, também podemos enxergar este filme como uma história de superação (Manou tem que ser melhor do que seus “irmãos”), sobre seguir seu coração, sobretudo em seu terceiro ato e também é uma história de amor em sua segunda metade.

Sua técnica é um paradoxo: ao passo que tem paisagens e planos muito bonitos e de encher os olhos, o design dos personagens (inclusive dos principais) pode incomodar mesmo os menos exigentes. Basta ver o pôster do filme para enxergar isso.

            Não é fácil dirigir um filme, seja um filme independente, blockbuster ou animação. Os diretores Andrea Block e Christian Haas fazem uma direção feita com o coração e correta, embora este seja um filme que não corra riscos.

O que eles fizeram aqui foi, basicamente, colocar tudo o que nos apaixonamos de animações anteriores, colocaram no liquidificador e saiu este filme, que pode ter uma sobrevida nos cinemas, mas que funciona muito melhor no home vídeo ou streaming, de preferência com a família reunida em uma tarde de domingo ou feriado.

            Voando Alto é como aquele aluno que passa de ano com uma nota 7, que consegue o suficiente, mas que o professor não vai se lembrar no ano seguinte.

Nerd: Raphael Brito

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