Um Homem (e um filme) Comum

Fiquei pra lá de curiosa quando recebemos o convite para a cabine de Um Homem Comum, dirigido por Brad Silberling (de Cidade dos Anjos e Desventuras em Série) e estrelado por Ben Kingsley (vencedor do Oscar por Gandhi) e pela novata Hera Hilmar. Infelizmente, o filme, anunciado como um suspense, perde grande parte de seu mistério logo na sinopse. É por isso que, sempre que possível, procuro ir ao cinema sem ler quase nada e sem assistir aos trailers – com toda a certeza, esta resenha seria muito diferente e mais positiva se a experiência não tivesse sido comprometida. A seguir, a sinopse que recebemos na cabine de imprensa, que não revela tantos detalhes – mas que não é muito boa… Desconfio que foram alguns equívocos de tradução que confundem quem procura saber mais sobre o filme. Leia por sua conta e risco!

 

SINOPSE: Criminoso de guerra e procurado mundo afora, um general que vive escondido há anos será transferido para outro lugar. Nesse novo esconderijo, ele conhece Tanja, sua nova camareira, e um estranho relacionamento surge entre eles, já que ambos possuem passados misteriosos. Aos poucos, o general e a camareira começam a se conhecer e mais detalhes sobre a vida de ambos vêm à tona.

 

Quando a calmaria parecia estar se estabelecendo na vida do general, a camareira lê a notícia de que há uma recompensa milionária para quem souber onde o fugitivo está. Preocupado com a segurança da garota, o atormentado homem acredita que a solução será enfrentar o passado e voltar para casa, mesmo que isso custe sua vida.

 

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Não me entendam mal… Me diverti. É um bom filme, mas o que decepciona é que Um Homem Comum tem muita capacidade para não ser só um… filme comum, como acabou sendo. Apesar de curto, a história e as excelentes atuações cativam – o filme todo acontece com três personagens, sendo que só dois são principais. A fotografia é digna de capas do Facebook (hehe, sempre penso nisso quando uma cena me agrada) e a ideia do filme é muito, muito boa… Mas mal executada, o que mata as boas intenções.

 

Emoldurados pelos belos cenários da Sérvia e por enquadramentos poéticos, Kingsley e Hilmar (que em nenhum momento parece uma atriz novata, já que sua atuação não deixa a desejar e convence), o General e Tanja, sua empregada (camareira… wtf!), começam a construir uma relação intrigante, que começa a nos envolver, mas nos perde na rapidez com que as coisas acontecem. O filme perde muito tempo até que o tal “mistério” seja revelado, e o preço pago por essa escolha é caro: o restante do filme acaba perdendo sua profundidade, e o que deveria ser algo construído com delicadeza para nos convencer e emocionar, acaba ficando raso – o que prejudica totalmente qualquer desfecho.

 

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O filme passa tão rápido a partir de certo momento que até achei que estava faltando uma parte, ou que fosse algo que acontece em muitos filmes que tratam de histórias reais: como a maioria das pessoas, tanto da equipe do filme quanto do público já conhecem a história, muitos detalhes são deixados de fora das telonas, e quem não tem a bagagem cultural para preencher o que foi deixado de lado acaba sentindo-se um pouco perdido. Em certos momentos me senti bem perdida, e até acreditei que o filme retratasse alguma história real – saindo do cinema logo procurei por mais detalhes para entender melhor a história, mas acabei ficando ainda mais confusa! Pelo jeito, não é uma história real, mas sim uma continuação de um filme com o mesmo nome, de 2013, também estrelado por Ben Kingsley. Entendeu? Nem eu. Em nenhum momento o filme foi divulgado como uma continuação, e fiquei muito curiosa para assistir ao filme de 2013 para ver se consigo entender melhor o que aconteceu – tanto com o General para completar as lacunas na história reduzida para ser contada nas salas de cinema, tanto para entender se é uma continuação ou algum tipo de remake.

 

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Mas e aí, vale a pena assistir? Sim, vale. Como disse, me diverti, me surpreendi, e fiquei encantada com os cenários e por saber um pouco mais sobre a cultura da antiga Iugoslávia, a terrinha de minha família materna. Foi uma pena a sinopse ter confundido e spoilado certas situações, por isso aconselho que vá assistir sem procurar por nenhuma outra informação – talvez, quem sabe, assistir ao filme de 2013, mas ainda não sei ao certo se isso ajudaria ou atrapalharia!

 

O filme estreou nos cinemas brasileiros na última quinta-feira, dia 29/11.

 

 

Nerd: Evelyn Trippo

I just have a lot of feelings, e urgência em expressá-los. Aspirante à escritora e estudante deslumbrada de Letras - Tradução. Pára-raio de nerds, exploradora de prateleiras em sebos e uma orgulhosa crazy pet lady.

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