The Politician mostra a política como bizarra e juvenil

Ryan Murphy deveria ser um exemplo em qualquer palestra de motivação, ele jamais se acomoda com produções de um só tema, sempre se arrisca, e suas séries costumam ser sucesso de público, crítica e premiações.

Criador de Glee, American Horror Story, American Crime Story, Pose, entre outras, suas produções possuem sua assinatura e estilo, embora sejam distintas entre si.

E sua nova série, The Politician, é um exemplo disso. O original Netflix é uma mistura de tudo e mais um pouco do que Murphy já fez, com a liberdade que a produtora dá aos seus autores, além de seu estilo bizarro, com personagens incorretos e uma paleta de cores carregada, bem ao estilo Wes Anderson de fazer filmes.

Porém, ao assistir The Politician, fica difícil saber o que aconteceu, já que um dos problemas é justamente a falta de ousadia. A trama é previsível e, no que diz à liberdade que o autor tomou, falta organização e fluidez.
São 8 episódios muito mal distribuídos, com direito a um 5º meio deslocado (a mesma reclamação de muitos para a 2ª temporada de Stranger Things).

A história do jovem Payton (Ben Platt), que tem o objetivo de chegar à presidência, rende vários momentos hilários e agradáveis, um grande acerto foi unir o frescor da juventude com a política, mas a falta de algo mais e da ironia presente nas obras de Ryan Murphy, tornam a série o mais normal possível.

No entanto, ela ainda assim cativa o espectador. O protagonista é carismático, quase nunca cínico e o público torce por ele, mesmo se tratando de uma competição política (no caso aqui, com o foco na eleição para vaga de presidente do colégio). Isso com todos os dilemas da adolescência, como a pressão por uma carreira, sexo e relacionamentos.

Não vá esperando um anti-herói ao estilo de Frank Underwood, Payton é cheio de virtudes e com elementos que vão encantar o público, como o fato de ser adotado (sua mãe adotiva é vivida por Gwyneth Paltrow) e seus irmãos o tratarem com desdém.

Quanto aos irmãos de Payton, são eles personagens bastante unidimensionais e desinteressantes, o que felizmente, não pode ser dito dos demais, a equipe de campanha de Payton, sua rival, a esnobe Astrid e Infinity. Esta que apresenta um dos melhores arcos da série, ela é uma garota que tem uma suposta doença, por isso anda de cadeira de rodas e sua condição pode ser usada para a campanha política, seja isso bom ou ruim. No meio de tudo isso tem ainda sua avó, vivida pela sempre fantástica Jessica Lange, que quanto melhor conhecemos, mais bizarra a personagem se torna.

Ao contrário de Pose ou American Crime Story, The Politician não é uma série que vá incomodar, pelo contrário, vai agradar seu público como Glee já fizera no passado. É um Ryan Murphy “da gema” para atrair multidões.


Nerd: Raphael Brito

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