Spiderman PS4 – Mais um concorrente ao jogo do ano?

Quando o jogo do Spiderman foi anunciado, a princípio muita gente ficou animada.

Reações reais dos fãs durante o lançamento, é verdade esse bilhete

 

Convenhamos, o cabeça de teia não recebeu tantos bons jogos assim (já adianto que minha formação gamer não conta com o PS2 no currículo, então não tenho nostalgia do Spiderman 2 do console) mas é um herói muito querido por todos. Os filmes são nostálgicos para boa parte de quem viveu os anos 2000 e como os filmes de super-herói estão em alta, era de se esperar que o jogo fosse atrair alguma visibilidade. Conforme o tempo passou, o jogo foi ganhando mais hype com cada informação que eram reveladas.

Quando enfim foi lançado, no começo do mês, todas as resenhas reforçavam que se tratava de um jogão, muitos alçando-o ao título de Jogo do ano de 2018. Um pouco cedo para a afirmação? Talvez… Mas agora que a poeira baixou, podemos analisar um pouco mais friamente e conjecturar se o jogo de fato é o melhor jogo de 2018!

 

  • O Roteiro

Sem spoilers aqui, ok?

Mas o roteiro de Spiderman é bem crível! Colocaria ele superior, inclusive, aos roteiros cinematográficos do aranha!

Sim, é mais fácil criar e desenvolver o roteiro e os personagens em 20 horas de jogo do que em um filme de uma hora e meia, duas horas. Mas, se vamos comparar todo o material midiático do personagem, Spiderman mostra superioridade aos filmes. A história não segue nenhuma HQ específica do herói, bebendo de referências de todos os lados! Aqui, Peter veste o manto há 8 anos (pelos meus cálculos, desde os 16) e já colocou alguns grandes vilões atrás das grades. Inclusive, a história gira em torno dessa questão, com o vácuo de poder gerado pela queda de um chefão do crime, como o super-herói vai lidar com a ascensão de novos grupos, o surgimento de novos vilões e o sofrimento de pessoas inocentes?

A evolução dos personagens, todo o desenvolvimento dos relacionamentos e a escalada dos acontecimentos se dá de maneira orgânica, de forma que você consegue se importar com cada coisa que está acontecendo, e mesmo algumas reviravoltas sendo previsíveis (principalmente para quem conhece a história do personagem e seus antagonistas) você ainda vai se pegar torcendo e se importando com cada personagem do jogo.

 

  • A Jogabilidade

Vamos começar a falar mal?

Sim… Mas não… Talvez só um pouquinho

A fórmula do jogo já estava manjada assim que ele foi anunciado, um jogo que seguiria a forma de combate dos jogos Arkham, um mundo aberto em terceira pessoa e diversas roupas para serem descobertas.

Mas o jogo faz isso, colocando tudo na escala gigantesca de Nova Iorque, o combate fluido com movimentos que poderíamos sim esperar do aranha (aliás, todos aqueles movimentos ultra acrobáticos que o Batman faz na série Arkham deveriam ser do aranha, mas tudo bem). A única questão que tenho para a jogabilidade é que as vezes a interação com as paredes é mais travada do que precisa, o spidey sobe o Empire State correndo, sem dificuldades, mas para descer uma borda, ele precisa pular, jogar a teia em direção à parede, voltar e aí sim ele vai se prender a ela. Mas essa questão é de fato mínima, irrita levemente, mas acaba sendo bem esquecível perto da grandiosidade do resto do jogo.

Navegar pela cidade se balançando nas teias é muito satisfatório, você de fato sente que ele está procurando os prédios para prender a teia, então, nada de teia no céu!

Quanto aos Puzzles e Quick Time Events de fato, o jogo tem Puzzles bobos e algumas set pieces são resolvidas em Quick Time Events. Isso pode ou não ser algo que irrite você, a mim foi indiferente. Penso que as vezes, pelo bem da narrativa, essa escolha foi mais acertada!

 

  • E os Bugs?

Ah, um jogo tão grande SEMPRE vai ter Bugs.

Mas, eles não chegam a atrapalhar.

Por uma vez eu tive um oponente que ficou preso dentro de uma caixa que estava inacessível, e isso me deu um pouco mais de trabalho para corrigir. Mas no geral, os bugs são apenas estéticos e não causam problemas.

Como amante da dublagem brasileira e admirador dos estúdios que fazem um trabalho magnífico, eu devo dizer que adorei as escolhas de vozes do jogo, todas elas estão ótimas, e não lembro de momentos em que eu tenha pensado que a voz não encaixasse. CONTUDO, A fala dos atores em diversos momentos não encaixava na boca dos personagens e dava uma desconfortável sensação de estar assistindo a uma novela mexicana daquelas bem trash, consegue imaginar? É, eu sei, incomoda.

A Usurpadora não é trash, quero deixar bem claro!

Por várias vezes também é possível ver transeuntes falando em inglês com o jogador. Isso pode ser facilmente desculpado se pensarmos que a ilha de Manhattan é extremamente popular entre turistas, e vá lá, mas ainda assim, ponto negativo para quem fez essa adaptação.

O outro ponto negativo, e esse é mais saudosista, é que agora o herói é, para todos os efeitos, o Spiderman e seus inimigos não são mais o Abutre, o Escorpião ou o Rei do Crime, são o Vulture, o Scorpion e o Kingpin. Essa mudança é para a globalização do herói, mas incomoda um pouco aos ouvidos ter esses nomes em inglês no meio de uma frase totalmente em português, e principalmente se você for dos mais saudosistas.

Pronto, falamos dos problemas, vamos voltar a falar das coisas boas! E como esse jogo é um deleite para a jogabilidade!

Eu li em algumas resenhas que Spiderman é um jogo curto, e por isso não valeria os 200 reais que o jogo custa. Quanto a isso eu tenho uma opinião muito firme.

O jogo vale cada centavo!

E cada minuto jogado é extremamente divertido. Além disso, o jogo não tem a jogabilidade inflada, ou uma barriga narrativa, para os caçadores de troféus. Você consegue platinar Spiderman em apenas um jogo, sem necessidade de voltar após o fim da história, você pode completar todas as side quests e colecionáveis enquanto faz as missões principais, e, vai ter uma experiência muito satisfatória, pois todas as atividades são divertidas e interessantes!

São repetitivas? Todo jogo de mundo aberto tende à repetição, mas não, buscar as mochilas por toda a cidade é divertido, resolver os crimes procedurais que acontecem é extremamente satisfatório, e ajudar os cidadãos a saírem de enrascadas também! Fora que isso dá um baita realismo ao lance de ser o amigão da vizinhança!

No fim das contas, Spiderman é SIM um jogão, mas tem seus defeitos. Se você gosta de videogames, vai gostar do jogo e de jogar como o cabeça de teia, liberar todas as roupas do personagem, resolver todas as questões pessoais e profissionais do Peter Parker e, no final do dia, ainda voltar para ajudar a Tia May!

Não considero ele o melhor jogo do ano, acredito que o título ainda esteja nas mãos de Kratos, em God of War. Mas, o ano ainda não acabou, e a estrela de alguém ainda pode brilhar!

Nerd: Matheus Farina

Após 24 verões, percebeu que as roupas não se lavam sozinhas. Começou a cozinhar aos 17 e desde então não parou mais. Acredita que é possível que exista no futuro a carreira de Noob Profissional de videogame, então, segue sendo medíocre e se divertindo muito. Single Player, RPGista e Card Gamer. Acha muito egocêntrico falar de si mesmo...

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