Resenha de Livro | Olhar com Malícia

Ao ler a sinopse de Olhar com Malícia, fiquei extremamente curiosa. Algo ali já tinha me ganhado. Talvez a capa. Talvez as meias coloridas, gêmeas de um par que eu mesma possuo. Talvez a liberdade. Talvez tudo junto.

Rita era uma mulher diferente. Famosa por suas opiniões polêmicas e adorada por uma legião de fãs, vivia o dia de hoje sempre diferente do dia anterior. Calças e meias coloridas eram uma de suas características. Gostava muito daquelas com as cores do arco-íris. Alguns a achavam brega, mas a ousadia faz algumas portas se abrirem, e mesmo sem saber o que tinha lá dentro, Rita sempre gostava de entrar por elas.

 

Vivia livre. Talvez essa era a principal característica que a fazia influenciar tanta gente. Inclusive Leandro, seu atual namorado. Leandro trabalhava muitas horas por dia em sua própria empresa, cuidando de todas as partes de uma produtora de sites para a internet. Quando fundou a empresa acreditava que teria mais dinheiro e menos trabalho.

 

Em uma tarde, Rita passeava pela bairro a procura de um novo lugar para passar a tarde trabalhando. Encontrou uma nova loja chamada CoffeHouse. Lá, conheceu Marcelo, garçon e dono da casa. Ele logo fez uma sugestão de café gelado, mas na verdade ela já sabia o que queria. Mulheres sempre sabem o que querem.

A história nos é contada pela perspectiva de três invejosos: Rita, Leandro e Marcelo. É o bom e velho “não é uma história de amor – é uma história sobre o amor”. Temos a agradável oportunidade de conhecer o ponto de vista dos três – seus pensamentos, suas atitudes e desejos – e também a deliciosa chance de viajarmos até o passado de cada um rapidamente, mas o suficiente para conhecer o que os motivou, o que os moldou, o que são e o que fazem. O background de cada personagem é muito interessante, nos ajudando a estreitar a relação com eles.

Rita é envolvente. Sabe aquele tipo de pessoa com a personalidade certa pra ser VJ da MTV (eles ainda existem?! Se sim, Rita seria um deles!)? Seu jeito ousado de se vestir e chamar a atenção reflete sua personalidade livre. Ah, sim, a Liberdade. Palavra e estado de espírito que considero tão importante a ponto de ter a liberdade poética de escrevê-la com letra maiúscula. Rita não é daquelas pessoas que dosam suas vontades, manias e ações para agradar aos outros. Ela quer tão somente agradar a si mesma. E, oh boy, como isso agrada aos que a admiram. Assim como eu. Ela é a femme fatale da internet, trocando o noir por meias coloridas e seu temperamento excêntrico e – às vezes- explosivo. Logo no começo me vi querendo saber mais sobre ela, saber a quais lugares ela ia, que emoticons ela havia criado… Rita me deixou curiosa, despertando aquele interesse de quem, assim como os rapazes no livro, vêem algo que desejam em sua própria vida, em sua própria personalidade. Entendo-os completamente.

Foi o mesmo que aconteceu com Leandro, que no começo nos é apresentado como o namorado de Rita. Dono de seu próprio negócio, Invejei sua dedicação, tanto profissionalmente quanto na energia que – mesmo não tendo – deposita em seu relacionamento. Seu foco em ir atrás das coisas e pessoas que quer em seu futuro o prendem em uma rotina que me cansou só de ler, hahaha! Talvez Leandro tenha sido o que mais me cativou, o personagem com quem mais me identifiquei. Longe de ser por me identificar com ele quanto ao foco e a rotina! Mas sim por sua dedicação para com aqueles que ama.

Por fim, temos Marcelo. Dono do novo CoffeHouse e feliz pai de família – ou nem tanto. Se fosse realmente feliz e completo, não veria em Rita tudo aquilo que sempre desejou. Apesar de ter um lar, uma esposa e filhos que ama, ele é ambicioso e vê em Rita uma equivalente. Rita, por sua vez, enxerga nele e deseja aquilo que, para ele, não é o suficiente: a família. Ela quer provar, principalmente para si mesma, que é capaz de fazer parte de um lar feliz. De ter um futuro com o homem que tanto quer ao seu lado. Logo ela que priorizava tanto apenas viver o momento, sem sentir culpa ou obrigação com os laços que formava… Seus ideais de liberdade são comprometidos quando ela finalmente encontra a chance de tornar o que deseja realidade.

Olhar com Malícia foi uma experiência curta e intensa – e surpreendente. É daqueles livros que você quase engole, uma leitura que flui muito bem. Fiz apenas uma pausa na leitura, e forçada, pois quando cismo em ler um livro de uma vez só, acabo ficando com a impressão de que passei rápido demais por tudo e que perdi alguma coisa importante, alguma reflexão. Contra a vontade, fechei o livro na metade, justo na dúvida se Marcelo gostava de Rita ao ponto de desistir de tudo que tinha conquistado até então ou se apenas a estaria usando para conquistar além. A dúvida me ajudou a pensar ainda mais sobre tudo o que o livro propunha.

Conforme lia a história me sentia assistindo uma daquelas minisséries da Globo, como o Amor em Quatro Atos (pela qual eu sou profundamente apaixonada), onde aquele arzinho gostoso de história nacional nos mostra o amor e o relacionamento entre as personagens explorados de uma forma crua, real e reflexiva. E o livro cumpre sua promessa de nos contar a história de três invejosos. Foi uma forma muito cativante de ponderar sobre o quê buscamos em outras pessoas. Por que fazemos tanta questão de tê-las em nossa vida? Por que são tão importantes? Por que nos inspiram? O que buscamos nela que não temos? Após a leitura parei para observar várias pessoas a minha volta, e o que elas representam para mim, por que as admiro. Será que as invejo? De que modo as desejo, ou apenas quero o que podem proporcionar a mim? Até onde todas essas expectativas podem nos levar?

Agradeço ao Anderson Leite a oportunidade de ler Olhar com Malícia e o incentivo a continuar a escrever! Fico curiosa desde já em pensar que outros personagens sedutores podem aparecer em suas histórias! 🙂

Nerd: Evelyn Trippo

I just have a lot of feelings, e urgência em expressá-los. Aspirante à escritora e estudante deslumbrada de Letras - Tradução. Pára-raio de nerds, exploradora de prateleiras em sebos e uma orgulhosa crazy pet lady.

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