“O Amor dá Trabalho” tinha tudo para ser uma grande comédia

Não são poucas as motivações que levam ao espectador assistir ao filme O Amor dá Trabalho, novo filme do cinema brasileiro estrelado por Leandro Hassum: além do próprio protagonista, a premissa é interessante, há uma boa intenção aqui, a história é envolvente e não dá para negar o carisma do elenco.

            E o filme de fato entrega: é um filme de comédia e se assume como tal, mas sem se esquecer do romance como pano de fundo e muitos podem se identificar, pois o filme permite isso.

Na história, Anselmo (Leandro Hassum) é um funcionário público preguiçoso e folgado que morre em um acidente com um armário em seu escritório. Para não ter que ir para o inferno, ele aceita a missão de unir um casal que está há 12 anos sem se ver: Elizângela (Flávia Alessandra), que se tornou vegana, está mais focada na carreira e Paulo Sérgio (Bruno Garcia), um empresário bem sucedido e com um relacionamento com a socialite Fernanda (Monique Afradique).

            Os dois tiveram um relacionamento no passado, mas Elizângela havia sido abandonada no altar pelo Paulo e resolveu retomar sua vida, mas agora precisa lidar com os fantasmas do passado.

            Anselmo volta como um espírito e tem que cumprir a missão de unir o casal em até 10 dias.

O filme acerta em não ser autoexplicativo, ou seja, dá para entender sua história e motivações dos personagens sem ter um background ou flashback. O roteiro se sustenta, não havendo a possibilidade de continuação, por exemplo, o que é uma virtude e um defeito ao mesmo tempo, pois se o roteiro se sustenta para os personagens principais, o mesmo não se pode dizer sobre alguns coadjuvantes, que simplesmente aparecem e somem do filme sem mais explicações, como Thais, amiga da Elizângela, uma mulher misteriosa que Paulo evita e um empresário que coloca o mesmo Paulo no lugar.

            As comparações com o já clássico Todo Poderoso, estrelado por Jim Carrey, são inevitáveis: os dois personagens são interpretados por um humorista/ator carismático, a história mexe com o espiritual, mas é para todos os públicos.

Por se tratar de uma comédia estrelada por Leandro Hassum, o espectador pode encontrar várias gags, piadas hilárias e muita cena improvisada, o que é uma qualidade e um defeito ao mesmo tempo, porque as manias e os trejeitos do Hassum, que são um atrativo por um lado, de outro, acaba tirando o impacto que o filme poderia causar no público, sobretudo na segunda metade, onde o espectador está mais envolvido com a história.

            Em alguns momentos, sobretudo envolvendo o casal principal, Hassum até atrapalha o filme e a graça vai embora. As melhores piadas ficam por conta dos coadjuvantes, como o sempre ótimo Tadeu Melo, Felipe Torres como o Dan Dan, que rouba a cena e os momentos em que aparecem “os deuses” são um alívio cômico em um filme que já é uma comédia.

Bruno Garcia e Flávia Alessandra têm uma grande química juntos e o público torce pelo casal principal, sobretudo ela, na qual é impossível não torcer por sua trajetória e história, bem como na saga do nosso espírito, na qual acompanhamos o filme de acordo com seu ponto de vista.

            E neste cenário temos a comédia O Amor Dá Trabalho, que promete arrancar boas risadas do seu público e deve fazer sucesso. Ah, no terceiro ato tem um grande plot twist e que nem os mais intelectuais vão conseguir sacar. E fiquem até o final, pois há uma cena pós-créditos e cenas durante os créditos que valem a pena.

Nerd: Raphael Brito

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