Nostalgia: Os 30 Anos de Tempo de Glória

Você pode achar que o mundo está “ficando chato” ou que “não é racista, tem até amigos negros”, mas uma coisa é fato: os Estados Unidos da América têm uma dívida histórica com a comunidade negra, sobretudo pela segregação racial, que até hoje temos vestígios disso na sociedade.

            E somente isso explica o porquê de Hollywood demorar a tratar um episódio tão importante da Guerra Civil Americana: a criação do 54º Regimento da Infantaria Voluntária do Estado de Massachusetts, o primeiro batalhão negro das Forças Armadas dos Estados Unidos.

            O fato foi importantíssimo e decisivo para o conflito e embora a guerra tenha sido muito bem tratada pelo cinema, faltava este episódio em especial.

E é sobre justamente isso que Tempo de Glória fala, mostra o retrato cruel do tratamento com os soldados negros em um período que se discutia a abolição e muitos defendiam a escravidão com argumentos religiosos (inclusive aqui no Brasil).

            Tempo de Glória foi um dos filmes mais comentados do ano de 1989, o que não é pouca coisa: o ano foi disputado tanto entre os blockbusters de verão (Batman, Indiana Jones e a Última Cruzada) ou entre os chamados “filmes de Oscar” (Conduzindo Miss Daisy, Nascido em 4 de Julho) e não devemos nos esquecer que 1989 foi o ano da chamada retomada da Disney com A Pequena Sereia.

            E tem mais: não sendo o único filme do ano a tocar no tema do racismo. O próprio vencedor do Oscar, Conduzindo Miss Daisy fala sobre isso e 1989 foi o ano em que Spike Lee lançou o ótimo Faça a Coisa Certa, mas ainda assim, Tempo de Glória foi um dos filmes mais importantes daquela temporada.

            Foi um grande sucesso de público, crítica e de premiações: no Globo de Ouro, venceu o prêmio de Ator Coadjuvante para Denzel Washington, além de ter sido indicado a Melhor Filme, Direção, Roteiro e Trilha Sonora. No Oscar, Denzel Washington venceu seu merecido Oscar de Ator Coadjuvante e também venceu nas categorias de Fotografia e Edição de Som, além de ter sido indicado a Direção de Arte e Montagem.

Tempo de Glória conta a história da criação do Regimento, a partir dos esforços do Coronel Robert Gould Shaw (Matthew Broderick, péssimo no papel) e da cooperação do grupo de soldados, como o ex-coveiro Rawlins (Morgan Freeman) e o ex-escravo fugido, Trips (Denzel Washington).

            Esse Regimento teve participação decisiva não apenas na vitória do Norte na Guerra, mas também abriu as portas do exército para o negro norte-americano.

            O filme é baseado nos livros Lay This Laurel, de Lincoln Kirsten e One Gallant Rush: Robert Gould Shaw and his Brave Black Regiment, de Peter Burchard, além das cartas do Coronel Shaw.

            Também é dirigido por Edward Zwick (de Coragem Sob Fogo e Nova York Sitiada) e aqui dirige um de seus melhores filmes: é um primor técnico, com destaque para as cenas de batalhas e os Oscar de Fotografia e Edição de Som foram mais do que merecidos.

E embora Matthew Broderick seja um péssimo protagonista, o mesmo não vale para as ótimas performances de Morgan Freeman, mas, principalmente de Denzel Washington, que não só mereceu seu Oscar, mas o filme ganha vivacidade com sua presença e como o símbolo da indignação da escravidão e abusos.

            É um papel a ser estudado.

            Tempo de Glória é um filme que permanece muito atual, seja pela técnica, mas, principalmente, pelo tema e mexer no vespeiro do racismo. Esqueça a atuação digna de Framboesa de Ouro do protagonista e venha estudar história com Edward Zwick, Morgan Freeman, Denzel Washington e todos os envolvidos.

Nerd: Raphael Brito

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