Nostalgia: Os 25 Anos de Um Sonho de Liberdade

Bilheteria não define caráter de um filme. Esta frase pode parecer clichê, mas se aplica muito bem a Um Sonho de Liberdade: o filme foi praticamente ignorado em seu lançamento em 1994, apesar do sucesso da crítica.

Nem mesmo as 7 indicações ao Oscar alavancaram a bilheteria, embora ele tenha se saído muito bem no home vídeo e sendo descoberto mais tarde.

Hoje se tornou cultuado, amado e sempre em todas as listas dos melhores filmes dos anos 90.

O filme é baseado em um conto de Stephen King. Para muitos, é uma melhor adaptação de uma obra de King ao cinema.

Se considerarmos as melhores adaptações como O Iluminado, Carrie – A Estranha, À Espera de um Milagre, Louca Obsessão, Conta Comigo, entre outras, não é exagero nenhum afirmar que Um Sonho de Liberdade é sim, dos melhores filmes adaptados e um filme como poucos: basicamente um só cenário, poucos personagens, mais de 2 horas no filme e pautado nos diálogos.

Jamais cansa seu expectador, muito pelo contrário: o roteiro é poderoso e uma grande aula de como construir, construir seu filme e desenvolver os personagens.

Na história, Andy (Tim Robbins, excelente!) É um banco acusado da morte de sua esposa e amante. O filme já começa com sua condenação e prisão perpétua, indo parar no ápice Shawshank (Diários de todos os tempos, Shawshank Redenção) e tem que lidar com o local: clima hostil, tortura, despreocupação, corrupção, mas cria amizade com Red (Morgan Freeman, também ótimo!)

O filme é dirigido, escrito e produzido por um jovem desconhecido Frank Darabont, que anos depois dirigiu À Espera de um Milagre (também baseado em uma obra de King), mas hoje em dia é muito mais conhecido pela série The Walking Dead.

Não é exagero nenhum dizer que este é o seu melhor trabalho.

O filme usa o tema prisão para criticar muita coisa, como o sistema penal e a corrupção, sem julgamentos e sem apontar o dedo para ninguém. Não é apenas um filme para assistir passivamente, o espectador participa junto e discute no final por horas e horas, seja as cenas, as interpretações ou atuações.

Tim Robbins e Morgan Freeman são os seus melhores e mais recentes desempenhos, aliás, Freeman é o narrador, que são os mesmos em sua carreira anos depois. Sem a química entre os dois, o filme não funciona como deveria.

E algumas cenas ficaram na memória do espectador. Como não se emocionar com a cena em que Andy toca ópera para todos na sala do diretor, ou a famosa cena da chuva, embalada pela trilha de Thomas Newman e a ótima fotografia de Roger Deakins (ambos indicados ao Oscar).

Aliás, os grandes filmes de prisão estão em baixa em Hollywood, mas estão muito presentes nas boas séries de TV – Orange is the new Black está aí para comprovar – mas o cinema pode (e deve) explorar mais este subgênero.

Um Sonho de Liberdade é um dos maiores personagens de personagens, que ficam grudados em nossa memória e com momentos preciosos, que embasam a razão e a expressão e o resultado é sublime.

Mesmo que você conheça o desfecho, é a jornada que vale e se deixar levar.

Saiu de mãos vazias do Oscar, mas a safra estava muito boa – Forrest Gump e Pulp Fiction também foram indicados a Melhor Filme na ocasião.

Hollywood um dia foi assim.

Nerd: Raphael Brito

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