Nostalgia: os 25 Anos de Pulp Fiction

Pulp Fiction – Tempos de Violência, chegou aos cinemas americanos no segundo semestre de 1994 e, no Brasil, em março de 1995, pegando carona em suas indicações ao Oscar. Foi o filme que consolidou a carreira de Quentin Tarantino como um dos maiores autores do cinema, mas engana-se quem acha que a carreira dele começou aí: em 1992, ele já havia nos agraciado com o excelente Cães de Aluguel; em 1993, escreveu o roteiro de Amor à Queima Roupa e no mesmo ano de 1994, também escreveu o roteiro de Assassinos por Natureza, filme dirigido por Oliver Stone.

Mas o grande público só foi entender mesmo a genialidade de Tarantino a partir de Pulp Fiction: os diálogos espertos, referências pop, trilha sonora clássica e personagens cativantes.

O filme é uma mistura de tudo isso e muito mais: é um filme sobre violência, mas não é violento. É mais engraçado e cheio de tiradas do que violento em si.

Na verdade, até existe a violência, mas ela não está tão explícita porque o público não é protagonista de sua própria história, ou seja, não há mocinhos nem vilões, são criminosos contra criminosos e não existe aqui o sentimento de culpa, ou do espectador torcer por alguém. São bandidos trocando contas contra outros.

E esses criminosos não são apresentados como imponentes ou indestrutíveis. São pessoas como nós, que conversam sobre comida, o dia-a-dia, ou sobre a bíblia, mas que, no fim do dia, praticam crimes contra criminosos.

Isso sem contar a narrativa não linear do filme, o que é muito mérito da saudosa montadora Sally Menke, que já nos deixou, mas editou todos os filmes de Tarantino, até Bastardos Inglórios.

Aliás, os filmes seguintes do diretor, Django Livre, Os Oito Odiados e o mais recente, Era Uma Vez em Hollywood, são ótimos filmes, mas que sofrem com problemas de ritmo. Sally Menke foi uma perda irreparável.

Vemos aqui uma mesma história. Simples até, mas que é contada e montada de forma engenhosa.

Começamos o filme com um casal conversando sobre as facilidades de se roubar um restaurante, depois somos transportados para Samuel L. Jackson e John Travolta conversando sobre hambúrgueres, massagem nos pés e as diferenças entre EUA e Holanda, terminando em um pequeno tiroteio ao som…da Bíblia.

Depois disso, vemos John Travolta e Uma Thurman em uma lanchonete, dançando, mas que culmina em uma overdose, que tinha tudo para ser tensa, mas provoca gargalhadas no espectador.

Não bastasse isso, temos o grande ator Christopher Walken explicando para um garoto sobre o relógio de seu pai na guerra. O público fica sem entender, até chegarmos ao personagem de Bruce Willis e suas motivações. E para terminar, continuamos a nossa saga do início do filme, com Travolta, Samuel e o casal da primeira cena.

Pulp Fiction foi o segundo filme mais rentável do ano de 1994 (o primeiro foi Quatro Casamentos e um Funeral). Custou apenas 8 milhões e faturou 212 nas bilheterias mundiais.

Foi também presença nas premiações: ganhou a Palma de Ouro em Cannes e ganhou o Oscar de Roteiro Original, além de ter sido indicado em outras 6 categorias: Melhor Filme, Direção, Ator para John Travolta e Montagem (nessas 4 categorias, perdeu para Forrest Gump, embora ele fosse mais merecedor de Montagem), além de ter sido indicado a Ator Coadjuvante para Samuel L. Jackson (perdeu para Martin Landau pelo filme Ed Wood) e Atriz Coadjuvante para Uma Thurman (perdeu para Dianne Wiest pelo Tiros na Broadway).

Uma última recomendação: dêem uma chance à dublagem do filme: Pulp Fiction se torna ainda mais engraçada dublado e as piadas funcionam mais.

Pulp Fiction é um marco no cinema e na cultura pop. Como nada nesta vida é perfeito, seu único problema, visto hoje em dia é a mensagem: “Produced by Harvey Weinstein”, que, felizmente, foi banido do mundo do cinema.

Nerd: Raphael Brito

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