Nostalgia: Os 20 Anos de A Bruxa de Blair (1999)

CONTÉM SPOILERS!

Você está ouvindo todos os canais, sites e podcasts relacionados a cinema e cultura pop sobre o ano de 1999 como um dos melhores anos da história do cinema.

E de fato foi mesmo: em um mesmo ano vimos filmes que até hoje estão no imaginário popular, se tornaram clássicos e que tinham um lampejo de criatividade, como Matrix, O Sexto Sentido, Beleza Americana, À Espera de Um Milagre, Clube da Luta, entre muitos outros.

E não é exagero nenhum dizer que A Bruxa de Blair também merece estar nesta lista de jovens clássicos.

Até hoje é um dos filmes mais rentáveis da história do cinema (custou “só” 60 mil e faturou 250 milhões nas bilheterias mundiais) e foi o primeiro caso de um filme que se tornou hit pelo marketing online, considerando que os realizadores não conseguiriam investir no marketing tradicional, como propaganda na TV ou outdoors.

Mas não foi apenas isso que tornou A Bruxa de Blair um marco do cinema de terror: ele foi vendido como um documentário, como uma história real, o que dava ainda mais vivacidade e medo nas pessoas e, embora depois tenha sido comprovada a história de ficção, a aproximação com o real é visível.

Sem contar que há uma característica especial que Steven Spielberg nos ensinou lá nos anos 1970 com Tubarão, de que o menos é mais: em nenhum momento aparece a tal bruxa e é justamente por isso que ela é assustadora, deixando a imaginação do espectador responsável por isso.

A história dos estudantes de cinema que se perdem na floresta à procura da famosa Bruxa de Blair e depois têm a câmera encontrada foi um dos assuntos mais comentados no segundo semestre de 1999: de filme modesto e pequeno a assunto principal nas escolas, mesas de bar e debates sobre cinema.

Não é de hoje que os filmes de terror atraem multidões e se tornaram o gênero mais rentável do cinema. Desde clássicos como O Massacre da Serra Elétrica aos recentes Um Lugar Silencioso e Hereditário, os filmes de terror geralmente não precisam de muito para assustar e levam milhões aos cinemas.

E no caso de A Bruxa de Blair, mesmo sabendo que se trata de um filme de fato e uma história “inventada” pelos realizadores, o medo é real e não tira em nada o impacto do que vemos em tela, desde os depoimentos à sugestão da presença do mal.

Mas nada nos prepara para o arrepiante desfecho de A Bruxa de Blair em um momento que se tornou clássico no cinema: a protagonista, Heather Donahue, se filma, olha para a câmera e começa a dar seu depoimento pedindo desculpas, porém, escuta alguma coisa, algo a persegue, de repente um breu e… o filme termina.

A cena é tensa e bem realizada por uma série de motivos: além da sugestão da ameaça, também ouvimos os gritos, os passos e a angústia da atriz, além da técnica da câmera tremida e a fotografia em tons de cinza. E assusta muito.

O filme passou batido pelas premiações (acreditem, a atriz Heather Donahue recebeu o troféu Framboesa de Ouro pelo papel), mas quem precisa de Oscar quando temos um acontecimento que marcou a história?

A Bruxa de Blair popularizou o que chamamos de Found Foutage em filmes como Atividade Paranormal e Cloverfield e, embora o terror já tenha se reinventado, nada anula o que este filme ainda provoca.


Nerd: Raphael Brito

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