Nostalgia: Os 15 Anos de Homem-Aranha 2

Não importa o quanto o cinema de super-heróis mude e evolua. Não importa se a Marvel Studios tenha se consolidado como um marco para os filmes do gênero ou se a trilogia do Chistopher Nolan, do Batman, tenha mudado a forma de como vemos o cinema de super-heróis: Homem-Aranha 2, lançado em 2004, permanece como um dos melhores filmes do gênero.

            Muitos consideram o recente Homem-Aranha no Aranhaverso como o melhor filme do herói e das melhores animações dos últimos anos e o filme é muito merecedor disso, mas nada disso anula o impacto que Homem-Aranha 2 ainda provoca no espectador e sim, dá para amar os dois filmes.

O primeiro filme do aracnídeo já foi um grande marco: um filme-evento feito com o coração e uma amostra de que os filmes de super-heróis eram o futuro do cinema. Blade e X-Men já haviam mostrado anos antes, mas sem o tamanho de produção e impacto cultural que o Homem-Aranha criou.

            E este segundo filme só melhora o que já era bom no primeiro: produção, lutas, sentimento, dramas, personagens, humor, referências. Tudo foi muito bem orquestrado por Sam Raimi e toda a equipe, mas este aqui é um filme quase autoral de Raimi, que ficou conhecido pelos filmes de terror e faz seu melhor filme.

            Peter Parker (Tobey Maguire, para muitos, o melhor Homem-Aranha do cinema) tem muito mais problemas agora: tem que lidar com a falta de grana, a vingança que seu amigo, Harry (James Franco) quer pela morte do pai, a pressão de seu chefe, J. Johan Jameson (J. K. Simmons, sempre ótimo) e seus dilemas com Mary Jane (Kirsten Dunst, igualmente ótima). Peter e Mary se amam, mas Peter não pode contar a ela sua identidade, não pode deixá-la correr esse risco. E para piorar, ela está de casamento marcado com o filho de Jameson.

            Neste turbilhão de problemas, salvar a cidade pode ser o menor dos problemas, mas não é bem assim: ser um herói se torna um fardo a ele e o filme discute continuar ou não como Homem-Aranha.

Mas um grande filme de herói não é nada sem um grande vilão: muitos reclamaram do Duende Verde no primeiro filme então os produtores resolveram colocar um vilão realmente ameaçador perante ao herói e com um dilema ainda maior: Dr. Octavius/Dr. Octopus (Alfred Molina) não nasce vilão no filme, começa como um sujeito comum, mas que se sente destruído pelas perdas e não vê outra saída senão finalizar seu projeto.

            O Dr. Octopus não é um vilão tão querido pelos fãs, mas se encaixou como uma luva aqui. Se a Marvel hoje trabalha também com personagens menos conhecidos das HQs, mas logo se tornam queridos pelo grande público, a Sony também já havia experimentado isso em 2004.

E o que dizer das cenas? Homem-Aranha 2 é recheado de momentos espetaculares, que transitam entre a ação e emoção na medida certa. Em um momento o espectador está empolgado com a ação e no outro está tentando segurar as lágrimas, como no momento em que Peter e Mary têm um beijo interrompido pelo vilão, ou seu espetacular desfecho, que é mais comovente do que muitos filmes de romance, ou ainda a já clássica cena de luta no metrô entre o Homem-Aranha e o Dr. Octopus, terminando com o herói sendo carregado pelo povo e o enxergando como uma pessoa comum.

Homem-Aranha 2 conseguiu unir o sucesso de público (foi a 2ª maior bilheteria de 2004), sucesso de crítica (no Rotten Tomatoes tem 93% de aprovação) e sucesso nas premiações (venceu o Oscar de Efeitos Especiais). É um marco no cinema e dificilmente será esquecido.

            De quantos filmes de super-heróis podemos dizer o mesmo?


Nerd: Raphael Brito

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