No Coração do Ouro, novo documentário da HBO é empoderado e obrigatório

            Em 2017, um caso abalou os EUA, o mundo e o esporte em geral: o então médico da equipe de ginástica dos EUA, Larry Nassar, é acusado de abuso sexual pelas atletas. O caso foi a julgamento, virou escândalo mundial e Larry foi condenado.

           E agora, em 2019, esse caso virou documentário pela HBO: No Coração do Ouro – O Escândalo da Seleção Americana de Ginástica.

            O documentário é incrivelmente bem produzido, realizado e não há de estranhar se a HBO fizer a campanha para as premiações, como Oscar ou Emmy, porque, além de ser merecedor, é justo que o documentário seja acessível ao maior número de pessoas possíveis.

Não se trata de um produto de entretenimento, muito pelo contrário: é um retrato cruel sobre a impunidade, machismo e de como a sociedade culpa a vítima e não o agressor, mas, se mais pessoas souberem da história e refletirem sobre, é maior a chance de isso não se repetir e de todos aprenderem com o erro alheio.

Dirigido por Erin Lee Carr, vemos os depoimentos reais das atletas, relatando o que aconteceu, porque não se trata de um caso isolado e porque Nassar conseguiu ficar impune por décadas.

No Coração do Ouro deixa claro que se trata de um médico respeitado por muitos, desde pais até a comissão técnica e ultrapassar essa barreira da denúncia parecia algo subversivo, afinal, estamos falando sobre alguém acima de qualquer suspeita.

Sem contar que os EUA sempre foram sinônimo de excelência quando o assunto são esportes olímpicos, basta ver que a cada edição o país fica entre as primeiras posições e lá só se aceitam os melhores, desde atletas, técnicos e médicos.

As meninas eram submetidas a um treinamento desumano para se superarem cada vez mais e sempre tinham que passar pela avaliação do médico Larry. E era aí que começavam os abusos sexuais, que eram frequentes.

Mas em 3 décadas, houve denúncias? Com certeza! Mas sempre eram abafadas pelo Comitê Olímpico dos EUA, os pais desacreditavam e, segundo um pensamento que, infelizmente, temos até hoje, é que a moça só quer se promover, não é mesmo? Lembrando que Larry Nassar era bem quisto e querido até seus últimos dias de liberdade.

E não para por aí: o impacto de tudo isso na vida dessas meninas não foi apenas físico, mas psicológico: não bastasse o abuso em si, que já traz sequelas para uma vida inteira, mas aqui vai além: estamos falando de um sonho de infância, um sonho de vida e um planejamento de uma carreira. Todas essas meninas tinham um sonho de serem atletas, abriram mão de muita coisa e chegaram até o limite do corpo para chegarem ao momento de glória.

Muitas delas foram medalhistas olímpicas, tiveram uma carreira de fato, mas nunca conseguirão superar.

As cenas do julgamento, com imagens reais, das atletas confrontando o médico, são impactantes e é impossível assistir de forma imparcial. É algo difícil de tirar da cabeça de quem vê. De quem vivenciou, é impossível.

E 2017 foi um ano importantíssimo no que diz ao empoderamento feminino: houve as denúncias com o ex-executivo de Hollywood, Harvey Weinstein, o ator Kevin Spacey e o movimento #metoo.

Este caso também foi um capítulo importante para as mudanças que estamos seguindo.

Não dá para mudar o passado, mas podemos construir o presente e futuro. Que casos como este sirvam para que todos sejam ouvidos, que a vítima não seja culpada e que casos assim, de assédio, estupro, não existam mais em sociedade nenhuma.

Você pode gostar ou não de documentários ou não ter acesso à HBO, mas vai ser impossível ficar indiferente com os impactos. Nada mais temeroso do que a vida real.

Nerd: Raphael Brito

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