“Midsommar: O Mal Não Espera a Noite” é ótimo, mas não é para todos

Dizem que a criatividade está acabando em Hollywood. Isso é verdade e não é ao mesmo tempo: de fato, o cinema comercial está investindo em franquias, reboots e continuações, mas isso é uma mistura delicada entre o que o mercado e público pedem.

O cinema está mais caro e há muito mais ofertas de entretenimento. Os estúdios querem investir no que dá certo e o público quer gastar seu dinheiro suado em algo certo também.

Mas há espaço sim para a originalidade, seja nas boas séries de TV e no cinema menos comercial, basta ver em filmes recentes como Corra, Um Lugar Silencioso e Hereditário.

E foi graças ao sucesso deste último que o diretor Ari Aster chega com seu mais novo filme, Midsommar – O Mal Não Espera a Noite.

O que muda aqui em relação a Hereditário é a expectativa e a pressão de fazer um filme tão bom quanto ou melhor e a boa notícia é que sim, Midsommar é tão bom quanto Hereditário. É diferente sim, é maior sim, mas é um grande feito de originalidade e ousadia.

Na história, a jovem Dani (a ótima Florence Pugh) teve uma perda recente na família e vai para a Suécia junto com o namorado e uns amigos para passar uns dias em uma espécie de retiro em um lugar afastado. A ideia é a de recomeço e de fugir dos grandes centros, mas o lugar não é exatamente como todos imaginam…

A frase “o menos é mais” se aplica muito bem a este filme. Quanto menos souber da história, mas principalmente, do que vai acontecendo, melhor fica a experiência.

Ok, não vão faltar vídeos de “final explicado”, spoilers e interpretações, mas se cada um tiver seu próprio sentimento, interpretação e sensação, o debate só evolui e só melhora um filme que já é ótimo.

Ari Aster usa dessa história para mostrar várias metáforas para criticar muita coisa que está errada no mundo, desde o comportamento à hipocrisia humana onde tudo tem significado aqui, seja pelo figurino, escolha do lugar, as sensações dos personagens (e da plateia) e as situações bizarras.

Prepare-se para muita coisa “fora da caixa”, em uma atmosfera onírica, bem ao estilo de David Lynch e tudo isso é sentido pela protagonista e a viagem que tanto ela e o público fazem nas mais de duas horas de projeção, que jamais cansam o espectador, pelo contrário, o público vai ficar tenso na poltrona a cada tomada, sobretudo no terceiro ato.

Não é um terror tradicional, com sustos e correrias, mas o medo está mais nos diálogos, no fator psicológico e até o local se torna personagem da história (alguém se lembrou de O Iluminado?)

Obviamente, não se trata de um produto para a família, não apenas pelo medo, mas pelo gore em muitas cenas (não veja este filme comendo) e no conteúdo adulto – tem uma cena de sexo no terceiro ato que já pode ser considerada como a mais bizarra da história. Mesmo. Ficou chocado com o bacanal do filme De Olhos Bem Fechados? Você não viu foi nada!

Midsommar já figura entre os melhores filmes de 2019. É tão original e fora da caixa que vai chocar a sociedade atual conservadora, o público geral, parte da crítica e a Academia (embora a fotografia seja primorosa). Talvez seja um filme cult ou de nicho. Mas a vida é assim mesmo.


Nerd: Raphael Brito

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