Irmandade: elenco e produção contam como foi a criação da série

A produção foi apresentada oficialmente no dia 9 de outubro, em uma coletiva de imprensa em São Paulo que contou com presença de grande parte do elenco (Seu Jorge, Naruna Costa, Lee Taylor, Pedro Wagner, Edmilson Cordeiro e Wesley Guimarãres), além do diretor Pedro Morelli e da produtora Andrea Barata Ribeiro. A série tem como base abordar o sistema carcerário, o racismo e a formação de facções criminosas dentro dos presídios.

Crédito: Helena Yoshioka

Pedro Morelli, que também é o criador da produção, sempre se interessou em falar sobre facções criminosas. Ele conta que escolheu os anos 90 porque queria uma protagonista mulher, e no contexto mostrado era necessário que fosse antes da facilidade dos telefones celulares, já que as mulheres se faziam muito mais importantes para passar mensagens e até mesmo acessórios.

Andrea Barata Ribeiro, a produtora da série, contou que décadas anteriores também foram muito importantes, já que o passado dos personagens é mostrado durante os anos 70 e 80. E que para isso era importante encontrar locações que passassem a estética que a história necessitava, o que os levou a uma comunidade na cidade de Cubatão, toda palafitada, e que dava a realidade necessária.

Crédito: Helena Yoshioka

Seu Jorge (Edson) revelou que foi um trabalho intenso, mas que tudo foi feito em conjunto para encontrar o seu personagem. Sua opinião era ouvida e debatida entre todos e isso ajudou a dar forma a tudo. Porém, toda a finalização foi dada quando eles chegaram no presídio, na ala desativada de uma instituição em Curitiba. Segundo ele: “Edson é um personagem de muita força, vivendo sempre em grande angústia, e que não conseguiria sem ter o apoio de todos, inclusive do elenco de apoio“.

Naruna Costa (Cristina Ferreira) sente que tudo ainda é muito intenso e que não sabe responder o que faria no lugar de sua personagem. Algo que é muito importante é que sua personagem, assim como o de seus irmãos, tentam procurar uma postura correta, mesmo vivendo dentro do crime, pois isso é uma herança de seu pai, que era uma pessoa muito rígida, justamente por viver na periferia da cidade de São Paulo, onde a violência e a exposição a violência para uma família negra é extremamente alta. Então, para tentar sobreviver naquele ambiente existem algumas formas, uma delas é tentar manter uma ideia do que é correto, para não se desviar de uma vida o “longa” possível. O Edson tenta colocar isso em prática, mesmo vivendo dentro do sistema carcerário, já Cristina tenta aplicar isso dentro do seu serviço no Ministério Público.

Crédito: Helena Yoshioka

Wesley Guimarães interpreta o irmão mais novo de Edson e Cristina, Marcel, e falou muito como foi o trabalho para entender a forma de seu personagem pensar e agir, já que ele é um jovem da Bahia e o Marcel um menino da periferia de São Paulo. Ia muito além do estudo de sotaque e gírias, mas como o ambiente a sua volta influencia nas decisões. O personagem destoa um pouco de seus irmãos, pois tem certa ingenuidade até determinado momento da série e isso é o que justamente começa colocar à prova sua índole.

Pedro Wagner, o Carniça, se permitiu ter calma e fazer um trabalho a conta-gotas, e ir pegando as coisas conforme foram chegando. Nem mesmo o nome do personagem era “Carniça”, quando isso chegou até ele foi um dado muito importante, pois não é qualquer um que é chamado desta maneira. Nas provas de figurino e maquiagem, quando foi colocada a tatuagem em seu pescoço, isso ajudou a definir como ele deveria se posicionar fisicamente para mostrá-la. Ele buscou algumas referências, e a mais forte foi de Willem Dafoe em Coração Selvagem, onde ele sempre está no “lugar” de tensão e pré-horror, mesmo que o ato por ele cometido nem seja tão pesado, mas sim a ideia do que ele pode cometer. Tudo isso foi sendo somado para encontrar o que era o personagem, que ia além do querer do próprio ator.

Lee Taylor define seu personagem, Ivan, como uma pessoa muito estrategista e individualista e que não se considera um bandido, pois foi parar na cadeia por uma questão pontual. Seu maior desejo é sair dali rapidamente, e percebe que se ele não se aliar à facção, ele não terá como realizar seu objetivo, e é quando ele conhece Cristina. Ele acaba tendo um sentimento de muita gratidão e lealdade, tanto à Cristina quanto à própria Irmandade, o que acaba envolvendo-o cada vez mais com ambos, e assim vai se tornando o que ele nunca desejou ser.

E por fim, Edmilson Cordeiro, o delegado, justifica que seu personagem ultrapassa alguns limites para conseguir “justiça”, e isso é, de certa forma outra maneira de fazer pensar sobre o certo e o errado, para diluir a ideia maniqueísta sobre o que é bandido e o que é mocinho, e assim criar uma certa empatia por todos os personagens, sendo isso o grande barato de tudo.

Crédito: Helena Yoshioka

Irmandade estreia dia 25 de outubro na Netflix, e em breve tem crítica da série aqui.

Nerd: Carlos AVE César

EXAGERADO! Jogado aos seu pés, eu sou MESMO EXAGERADO! Filho único, egoísta, mimado e mal-humorado. Produtor de Eventos, Engenheiro de QA e butequeiro! Buscando CONHECIMENTO, com cachorro-quente e guaraná. Também sou a personificação da Vingança! Twitter: @ONovoNerd Facebook: http://www.facebook.com/carloscesarcarvalho

Share This Post On