Crítica “Star Wars: Ascensão Skywalker” – Precisava?

Correndo o risco de criar um rage gigante, vou resumir o que achei da nova trilogia de Star Wars: desnecessária.

Calma, porque isso não quer dizer que achei ruim e que não me diverti, apenas que depois de ver a conclusão da história, a impressão que fica é que não existiu efetivamente uma adição real ao que já havia sido contado e, por isso, não seria necessário que esta produção tivesse sido executada. E esta impressão só é possível com o fechamento do terceiro filme, porque até então, apesar de ter algumas ressalvas pelos dois primeiros filmes, eu estava empolgado.

Os novos filmes flertaram a todo momento por deixar de lado a história da família Skywalker ao mesmo tempo que tentaram se agarrar “as origens”. E isso foi o que acabou complicando tudo e deixando a impressão de que vimos uma cópia mais fraca da trilogia original.

Star Wars sempre me encantou muito mais pela mensagem que passa do que pela história em si, até porque temos que nos lembrar que o primeiro filme foi pensado de forma isolada (era chamado apenas Star Wars, não tinha nada de “Uma Nova Esperança“). Seu final funciona de forma isolada, encerrando a história com uma festa dos vencedores. Isto inclusive acabou gerando problemas para as continuações, já que George Lucas teve que ir consertando os buracos conforme foi aumentando a mitologia de seu mundo. Acabou expandindo tanto que decidiu criar uma nova trilogia no final dos anos 90, trilogia essa que gerou mais erros ainda, mas a mensagem por fim, continuava encantando.

Sendo assim não posso ser hipócrita e dizer que essa nova trilogia “forçou” reviravoltas como se as antigas também não o tivessem feito, mas na tentativa de não ser exatamente uma cópia da original, há quase um deus ex machina pra tudo. E calma que logo explico o porque do quase.

Considero que três grandes revelações é o que fazem o filme deixar essa impressão de “forçação de barra”. E se você não viu ao filme e não quer tomar spoilers, pule os 4 próximos parágrafos:

  • A revelação de que Palpatine está vivo e é avô da Rey
  • Ele tem uma frota imperial gigantesca
  • Cada nave da frota é uma estrela morte

E estarei mentindo se disser que não pirei com essas 3 revelações! Mas vamos a explicação do porque essas 3 revelações soam quase como soluções deus ex machina: porque para quem apenas viu aos filmes (o que é a grande maioria do público), isso tudo parece um solução preguiçosa, tirada da falta de vontade de usar os neurônios, com a explicação “a bola é minha e eu faço o que quero”. Mas para quem conhece o universo expandido e canônico, principalmente Marcas da Guerra, sabe que Palpatine tinha um plano de contingência caso fosse morto e que esse plano, inclusive, é o que gerou a Primeira Ordem. Sendo assim, não é difícil imaginar que ele se preparou durante anos para uma possível tentativa de seu assassinato ao mesmo tempo que foi “guardando” recursos (a frota) para que pudesse retomar seu poder.

Quanto a ele ter uma neta / família não é algo assustador, afinal os Siths são totalmente levados pelas emoções e desejos. Basta lembrar que Anakin se casou em segredo com Padmé, mesmo sendo um Jedi (que em teoria não poderiam se relacionarem afetivamente). Sendo assim, as 2 primeiras revelações até que fazem sentido, mas novamente, para quem conhece muito bem esse universo.

Maaas, já para a terceira revelação onde cada Imperial Star Destroyer se tornou uma Estrela da Morte, não tem salvação. Alguém pode tentar argumentar que ele teve 40 anos para desenvolver essa tecnologia, mas fica a pergunta: SÓ ele tem pessoas capazes suficientes para conseguir colocar a tecnologia da Estrela da Morte dentro de uma nave? Mais ninguém em toda a galáxia trabalhando para a Primeira Ordem poderia fazer o mesmo? Lembrando que a Primeira Ordem já tinha criado a base StarKiller em um planeta no primeiro filme. Colocar essa revelação soou mais como se um bando de crianças tivesse sido jogadas em um quarto e fizessem um brain storming.

Existem detalhes no filme que alguns podem reclamar, a maioria ligados ao que a Força pode fazer, mas pessoalmente é uma das coisas que me atraem na mitologia de Star Wars, que sempre permitiu que a Força pudesse fazer tudo, só dependendo da vontade e criatividade de quem a usa (praticamente um Anel do Poder dos Lanternas Verdes). Existe inclusive um link entre acontecimentos de A Ascensão Skywalker com poderes demonstrados por baby Yoda em O Mandaloriano.

E, finalmente, pudemos ver a construção e utilização da Rey, que agora mostra do que é capaz e não fica da dependência dos outros personagens e que, dentro da proposta criada pelo roteiro, se estabelece como o grande “receptáculo” da Força. A conexão entre ela e Kylo Ren é algo que gera muito das inovações na Força como citei acima, e rende cenas de lutas memoráveis.

Mas, apesar de tudo, o sentimento de que a saga poderia (e deveria) ter entregue muito mais é incontestável. E pra você, essa saga era necessária?

Nerd: Carlos AVE César

EXAGERADO! Jogado aos seu pés, eu sou MESMO EXAGERADO! Filho único, egoísta, mimado e mal-humorado. Produtor de Eventos, Growth Hacker, Especialista em Marketing de Conteúdo e butequeiro! Buscando CONHECIMENTO, com cachorro-quente e guaraná. Também sou a personificação da Vingança!

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