Crítica: El Camino – Uma continuação digna para Breaking Bad

Breaking Bad encerrou em 2013 e até hoje é considerada por muitos como a melhor série da TV mundial e por uma série de motivos, seja pelos personagens, a trama, as camadas ou até pelo fenômeno cultural, mas nem sempre foi assim: a série, iniciada em 2008, registrou números baixos de audiência, sendo reconhecida com o passar das 5 temporadas pelo público e pelas premiações.

Mas quem se lembrar do início da década de 2010, vai saber que a entrada da série na Netflix ajudou e muito a série a se tornar acessível para todos até hoje e com esse recorde de público.

Sendo assim, não é surpresa nenhuma que o filme El Camino – A Breaking Bad Movie seja um produto original Netflix, tamanha a importância que a gigante do streaming teve na divulgação da série.

Aliás, com o sucesso da série, todos pressionaram Vince Gilligan (criador da série) para mais temporadas. A resposta foi um sonoro não, ele soube terminar a série de forma coesa, no auge, mas gerou mais dois produtos: a série Better Call Saul, que se passa antes de Breaking Bad e este filme, El Camino, que é a continuação direta.

Embora tenham se passado 6 anos do término da série, o filme se passa logo após os eventos de Breaking Bad, com o nosso Jesse Pinkman (Aaron Paul) fugindo do cativeiro nazista a bordo de um carro chamado El Camino, com um misto de alívio e euforia.

A cena se tornou clássica, icônica, mas todos se perguntaram: O que houve com Jesse? Como será a vida dele sem Walter White? As respostas vemos neste filme.

El Camino está longe de ser apenas um fan service barato e para agradar os fãs. Existem as referências e easter eggs, mas quem não conhece esse universo pode assistir a este filme sem sustos, pois vai encontrar um filme muito bem realizado e uma história envolvente.

Toda a trajetória de Jesse é contada de maneira fluida e coerente, sem querer forçar as situações e mostrando um homem que não apenas aprendeu as rédeas do negócio com seu então parceiro, Walter White, mas também um sujeito traumatizado e derrotado, sobretudo por ter sido refém de um sequestro violento.

O Jesse apresentado aqui é um homem mais maduro do que o apresentado na série, ao passo que ainda não está preparado para o mundo exterior, fazendo o papel de vítima em alguns momentos.

E o resultado é um personagem tão fascinante quanto na série. E conhecer a evolução dele o torna melhor ainda.

Nada que o Vince Gilligan não esteja acostumado. Quer estudo de personagem mais eficiente do que o Walter White? De humilde professor de química, empregado de um lava rápido ao produtor metanfetanima mais temido.

Além de dirigir, ele também escreve este filme, que além de ser essa grande trajetória de Jesse, é um bom feito cinematográfico no que diz respeito à técnica; pela montagem frenética, fluída e a cinematografia tão boa quanto da série, com grandes planos, o bom uso das cores e cenários que, na verdade, também são personagens de ambas as mídias.

Ao contrário de muitos filmes que continuam uma série de sucesso, mas não deram certo, como Sex and the City e O Último Mestre do Ar, El Camino – A Breaking Bad Movie faz um grande trabalho, sabe que filmes e séries são mídias diferentes e pode fazer com que outros criadores de séries ampliem seu universo.

E que venha o filme de Downton Abbey, outra grande série, mas que não teve o mesmo reconhecimento que Breaking Bad.


Nerd: Raphael Brito

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