Crítica: Bloodshot é para quem ainda vive nos anos 90

Tiro, porrada e bomba!

Nos últimos dias eu mencionei como algumas produções tem se aproveitado do “estilo anos 80/90” de fazer filmes, tal como Troco em Dobro e Bad Boys Para Sempre. Mas uma coisa é “soar como anos 90” e saber como mesclar a nostalgia das produções com a atualidade, não só na parte técnica, mas a temática. Outra coisa é realmente fazer um filme totalmente anos 80/90 e se utilizar apenas da tecnologia de hoje para conseguir deixar o visual mais crível.

Pra quem não conhece a história das HQs da Valiant (assim como eu), ao assitir ao trailer acaba ficando empolgado com a sinopse: “Ray Garrison (Vin Diesel) é um soldado morto em combate e ressuscitado como um tipo de super-humano pela empresa RST. Com um exército de nanotecnologia nas suas veias, Ray agora tem uma força descomunal e é capaz de se curar instantaneamente. Mas, ao controlar o seu corpo, a empresa controla também a sua mente e as suas memórias. Ray não sabe o que é real e o que não é, mas está decidido a descobrir a verdade”. Fica aquela sensação de estarmos vendo uma mistura de Toretto com Riddick, mas existe esperança de que o enredo segure a barra.

E depois de assistir o filme, a sensação apenas se concretiza. Fica evidente que o filme poderia ter sido muito mais, pois a trama acaba se prendendo a todo momento em clichês dos anos 80/90 sem dar uma real motivação para o personagem de Vin Diesel, ele é a vingança pela vingança. Você quase fica esperando que ele solte um “Você é uma doença e eu sou a cura” ou algo bem próximo disso.

E lembra que falei que no trailer você tinha a sensação do personagem ser uma mistura de Toretto com Riddick? Então…

Dos Produtores de Velozes & Furiosos

A princípio eu achei que a produção não havia se atentado em como algumas cenas jogavam Toretto na cara da audiência, até ter a confirmação de que os produtores eram os mesmos de Velozes & Furiosos e aí tudo ficou claro: só pode ter sido proposital! Atenção para o mini-spoiler (que nem tem grande impacto, juro)!

Ray está voltando de uma missão e sua esposa está na base aguardando-o. Quando ele vai em direção dela e tira o macacão, o que ele tem por baixo? É, exatamente: uma camiseta regata branca! E qual é a sequência disso? Eles dirigindo por uma estrada. Só faltou ligarem o nitro! E em meio a isso tudo, o humor de Ray é o mesmo que o de Riddick dedica a tripulação da nave que o levava para seu destino.

Cadê meu Speed Ramp?

Algo que realmente não pode ser criticado no filme são os efeitos visuais. Aliás, tenho a impressão de que houve instruções explícitas para que os roteiristas pensassem no maior número de cenas possíveis onde partículas pudessem ser usadas: fumaça, água, farinha, o que vier está valendo! Tudo isso para possibilitar a exploração do Speed Ramp (time remapping), também conhecido por nós reles mortais como slow motion. E meu amigo, nesse quesito os caras estão de parabéns. Funciona perfeitamente e o filme quase todo direcionado por isso, o que faz sentido, já que parte do poder de Ray é praticamente é não ser destruído! A todo momento podemos ver o personagem ser baleado, explodido, jogado, arremessado e o que mais imaginar, dando a oportunidade de seus nano robôs brilharem em cena.

Bloodshot - Efeitos Visuais
Bloodshot – Efeitos Visuais

Pela história ser tão conduzida pela ação e efeitos visuais, isso acabou impactando muito na construção dos personagens, os quais ficam todos muitos rasos. O destaque talvez seja Lamone Morris que interpreta Wilfred Wigans, basicamente o sidekick de Ray, que garante os melhores momentos em tela, isto quando não é usado no clichê dos anos 80/90 onde temos o homem negro apenas para dar suporte e mostrar como o homem branco é “fodão”.

A forma que a reconstituição da memória de Ray é usada também é um ponto positivo do filme e talvez pudesse ser mais explorarada, prendendo mais a atenção da audiência e deixando que ela fique em dúvida sobre o que é real e o que não é, ao invés de querer explicar realmente o que aconteceu.

Se você não se importa em ver um filme que “parou” no tempo, com certeza irá se divertir com Bloodshot que é puro tiro, porrada e bomba e visualmente magnífico.

Nerd: Carlos AVE César

EXAGERADO! Jogado aos seu pés, eu sou MESMO EXAGERADO! Filho único, egoísta, mimado e mal-humorado. Produtor de Eventos, Growth Hacker, Especialista em Marketing de Conteúdo e butequeiro! Buscando CONHECIMENTO, com cachorro-quente e guaraná. Também sou a personificação da Vingança! Me siga nas redes sociais: Twitter - https://twitter.com/onovonerd Instagram - https://www.instagram.com/novonerd/ Facebook - http://www.facebook.com/carloscesarcarvalho

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