Crítica: Aprendiz de Espiã é ainda melhor do que sua proposta

Em uma época com tantas decepções, com obras que prometem muito e pouco oferecem ao espectador, o contrário é tão difícil de acontecer que o público fica até desacostumado. Os exemplos são vários e neste início de temporada de 2020, um filme que pode ser encaixado neste perfil é Aprendiz de Espiã.

A mistura de comédia com ação não é nova, já foi muito explorada em filmes, séries, HQs, livros e até nos games, a diferença está na forma como a história é contada ou carisma dos personagens, coisa que este filme tem de sobra.

A divulgação não está tão forte e ainda é cedo para falar do sucesso ou não deste filme, muito menos do legado, mas não será estranho se esbarrarmos num futuro próximo e ele estiver passando em uma reprise num domingo à noite.

Na trama, JJ vivido por Dave Bautista (o Drax de Guardiões da Galáxia) é um agente da CIA que após uma missão malsucedida, é encaminhado a um trabalho de menor esforço: vai para Chicago vigiar uma mãe e uma filha em seu apartamento e ficar de olho se o pai da menina, um criminoso, aparece e, assim, pegar o sujeito.

Mas as coisas não acontecem como o planejado: a menina Sophie (Chloe Coleman, ótima!) descobre as câmeras em seu apartamento e faz vários acordos com JJ para não contar para a mãe, como fazer ele a levar para patinação, na reunião de pais ou para tomar sorvete, e não demora muito para que ele ensine a ela a arte da espionagem.

Uma das coisas bacanas em Aprendiz de Espiã é a mescla de gêneros em diferentes pontos de vista: é uma história de espionagem, não muito diferente de James Bond ou Bourne, mas que não tem vergonha de ser brega e o absurdo é a palavra de ordem, como em Velozes e Furiosos, por exemplo.

Ou ainda podemos encarar como uma comédia, que diverte muito o espectador, como uma trama que não se leva a sério. Ainda dá para encarar como o mestre ensinando o aprendiz, como Yoda ensinando o Luke ou Rocky Balboa ensinando Adonis Creed.

E como estamos falando de uma história com uma mãe e filha longe do seu pai, também podemos encarar este como um filme sobre a falta de paternidade e uma mãe solteira que tem jornada dupla.

Nada disso está errado e é justamente por isso que Aprendiz de Espiã vai pegar a todos e dificilmente alguém não vá gostar.

Sem contar o elenco, que pode parecer desconhecido, mas que a maioria dos atores está com carreira em construção: Dave Bautista provavelmente é o mais conhecido pelo sucesso do MCU e o que leva o filme até o final. Mesmo a sua canastrice e falta de expressão são qualidades aqui, como nos filmes clássicos de Schwarzenegger, por exemplo e seu carisma deve fazer o público comprar a ideia aqui.

Ken Jeong (de Se Beber Não Case) faz seu chefe e aparece em momentos pontuais, Kristen Schaal faz a Bobbi, a parceira falastrona e embora já tenha uma carreira, é mais conhecida pelo trabalho de dublagem (ela faz a voz da Sarah Lynn de Bojack Horseman, por exemplo) e está hilária como uma moça atrapalhada, mas com muita vontade de ajudar seu parceiro do qual é fã.

Mas o grande destaque mesmo é a pequena Chloe Coleman, uma fofa e a mistura da inocência infantil com a sagacidade pueril, muito do que a Hit Girl fora no passado e mesmo com uma curta idade e carreira (fez a filha da Zoe Kravitz em Big Little Lies, por exemplo) pode ser o início de uma carreira no cinema e na TV.

O diretor Peter Segal (de Agente 86) fez uma obra modesta, chegando sem fazer barulho, mas pode agradar seu público ou se tornar cultuado.

Não custa nada sonhar.

Nerd: Raphael Brito

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