A Nintendo na BGS: a Big N volta ao Brasil?

O ano era 2015. Logo no início o país já dava sinais de sua recessão econômica que teima em demorar a acabar. Nem a Grande Depressão norte-americana durou tanto tempo assim e além do desemprego, da economia estagnada, havia outra bomba que abalava o mercado brasileiro: a Nintendo tinha saído do Brasil, deixava de produzir tanto jogos quanto consoles em território brasileiro por causa da alta carga de impostos.

A notícia pegou o mercado de games de surpresa e era um cenário muito diferente do atual: o console de mesa da empresa era o WiiU, que teve muitos jogos bons, mas a verdade é que o videogame foi um grande fracasso de vendas e aceitação. Juntando o fato de que o Nintendo 3DS não estivesse nem com a metade da venda do seu antecessor, o DS, muito por causa da concorrência desleal dos smartphones, parecia que o futuro da Big N seria sombrio.

Mas até que chegou a luz no fim do túnel: em 2017 a empresa anuncia e lança seu mais novo console, o Nintendo Switch, com uma proposta diferente das rivais Sony e Microsoft e com a promessa de colocar a empresa de volta aos trilhos.

E a aposta deu mais do que certo: o Switch é um grande sucesso, com alta aceitação do público, do mercado e com títulos que já se tornaram clássicos como The Legend of Zelda: A Breath of the Wild, Super Mario Odyssey, além de jogos vindos do WiiU como Mario Kart 8 ou Donkey Kong Tropical Freeze.

O público brasileiro abraçou o console e muitos estão dizendo que esta é a volta da Nintendo após as glórias do passada com o NES ou SNES, mas ainda há um problema: a empresa não voltou de vez ao Brasil e tudo o que conhecemos de Nintendo hoje é produzido fora do país.

De início a gigante estava meio deslocada do mercado brasileiro, mas com a grande aceitação do Switch, não tinha como a empresa não enxergar o potencial nacional, tanto que está de volta à BGS em 2019 após muito tempo sem um estande próprio.

A notícia animou o mercado de games e só melhorou quando todos souberam quais jogos teriam disponíveis para o público nos dias de evento: títulos já consagrados como New Super Mario U Deluxe, Mario Kart 8 Deluxe, Super Mario Maker 2, Super Smash Bros Ultimate, além do lançamento The Legend of Zelda: Link’s Awakening, que na verdade foi lançado em 1993 para GameBoy e agora volta em uma versão remasterizada. Além da cereja do bolo: o inédito Luigi’s Mansion 3, com o lançamento previsto para o final de outubro de 2019.

O estande é um sucesso, há presença de crianças de 8 a 80 anos e todos os jogos têm uma procura alta. Seria o retorno da Big N ao território brasileiro?

Ainda é cedo para dizer, mas de uma coisa é certa: a Nintendo já enxergou o Brasil como um grande potencial para seus negócios, seja pelos lançamentos, pela nostalgia ou pela paixão que suas franquias causam e dar as costas ao público não é uma boa estratégia.

Mas e para nós, brasileiros? Seria uma boa ideia a Nintendo voltar a fabricar jogos e consoles aqui no Brasil? Isso só o tempo vai dizer.

Nós temos uma das maiores cargas tributárias do mundo e em um país onde quase tudo é muito caro, o preço de um jogo produzido no Brasil custa, em média, uns 200 reais, considerando os valores do Xbox One e PS4.

Já um jogo do Nintendo Switch, ultrapassa o valor de 300 reais. Um valor alto? Com certeza. E a volta da empresa para cá significaria a redução dos preços e dos impostos? Não necessariamente: vejamos um exemplo da Apple. Um iPhone 11 custa aqui no Brasil o valor absurdo de 10 mil reais, mas se você trouxer importado dos EUA o mesmo produto, consegue por uns 4 mil reais. É mais do que o dobro.

A volta da Nintendo agitaria o lucrativo mercado de games, atrairia investidores e faria com que mais gente se apaixone pela Big N.

Se considerar pela aceitação na BGS, a empresa pode fazer uma grande carreira por aqui e de repente até mesmo produzir algum produto genuinamente brasileiro. Não custa nada sonhar.

Nerd: Raphael Brito

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