Porque você precisa jogar Firewatch

Quando se gosta muito de videogames, é comum ficar incrédulo quanto a qualidade de algum jogo ou se frustrar facilmente por criar expectativas altas demais. Temos que admitir, quando gostamos muito de uma coisa, ficamos mais críticos e mais difíceis de agradar.

Eu ouvi falar de Firewatch pela primeira vez em 2016, um jogo pequeno, sem grandes pretensões, de uma desenvolvedora sem outros trabalhos. Com uma premissa que me afastou. O que poderia haver de interessante na rotina de um guarda florestal?

Que bom que eu me afastei de Firewatch na época. E que bom que eu joguei Firewatch agora.

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O jogo da Campo Santo tem uma premissa simples, uma jogabilidade mais simples ainda e uma carga emocional pesadíssima. A história se passa no final da década de 80, você é Henry, um homem na casa dos seus 40 anos que decide, depois de sofrer uma perda muito grande, se isolar do mundo. Um emprego como guarda na reserva de Shoshone no pacato estado do Wyoming parece ser a oportunidade ideal.

A partir daí, você controla o personagem. Henry não tem nenhuma habilidade especial ou sobre humana, não é super inteligente e sequer está em forma. É um homem atormentado pelos acontecimentos do passado e que tem como companhia apenas um rádio, por onde a sua supervisora Delilah passa as instruções e tarefas para que ele execute ao longo do dia. Tarefas como evitar incêndios, procurar por problemas na região de Two Forks e proteger a reserva. Onde o jogo brilha é em sua narrativa.

O jogo conta uma história que atravessa limiares do romance e mistério. Contada de uma perspectiva em primeira pessoa, os controles simples desempenham bem o seu papel, e os gráficos têm toda uma personalidade que geram cenários de tirar o fôlego e ambientes incríveis. A intenção de Henry é se isolar do mundo e o jogo consegue em toda a sua ambientação passar a sensação de solidão. Em diversos momentos me peguei olhando para o horizonte esperando ouvir a voz de Delilah apenas para me lembrar que eu não estava sozinho.

Convenhamos, é um BAITA visual

Convenhamos, é um BAITA visual

Quando começar a jogar, você pode esperar terminar o jogo em apenas uma sessão. Não vai durar mais do que 5 horas e a narrativa te prende. Mais pelo relacionamento de Henry e Delilah do que pelo mistério que está no jogo e onde eu coloco minha única crítica negativa. No meio de tanta qualidade em todo o desenvolvimento de personagens, o mistério que o jogo apresenta e que teoricamente deveria levar a história para frente é fraco. Não se trata de um Deus Ex Machina, todas as dicas estavam lá desde o início. Mas eu me senti um pouco traído. Eu gostaria mais de ver a relação de Henry e Delilah se desenvolver ao invés de perder tempo com um mistério que não estava nem perto da mesma qualidade narrativa.

Mas quando falamos de desenvolvimento de personagens. Ah, que maravilha. Você consegue se ligar a Henry logo nos 5 primeiros minutos de jogo e a cada conversa com Delilah você começa a adorar ainda mais essa personagem, suas peculiaridades, gracejos e piadas. O que mais me surpreendeu foi ver como esse desenvolvimento ocorreu de forma adulta. O jogo trata de relacionamentos sem maniqueísmo ou romantização, você vê uma narrativa evoluir de forma madura, onde pessoas (que poderiam ser reais) conversam e criam laços. Eu duvido que você não fique apaixonado por Delilah no final dessa história…

Como eu disse. Que bom que eu não joguei esse jogo quando saiu. Na época eu não tinha um Playstation 4, ou um Pc que funcionasse, mas, acima de tudo, eu não teria maturidade para absorver uma história tão incrível. Mesmo pouco tempo depois eu consigo ver a mudança que aconteceu em mim e em como eu pude aproveitar esse jogo. Tenho certeza que a próxima vez que eu jogar Firewatch terei uma conexão diferente com o jogo. E, com esse texto, eu espero que você também se conecte com ele.

Nerd: Matheus Farina

Tem 23 anos, Boa parte passou jogando e muito pouco em seus próprios consoles. Acredita que é o melhor perdedor que pode haver, mesmo sendo extremamente competitivo. Hoje, ganha a vida com jogos e recentemente fez a primeira tatuagem relacionada a um jogo, está se achando o James Dean dos nerds.

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