Pedro Coelho vai além de um “filme de páscoa”

Coelho4Se Pedro Coelho fosse lançado nos anos 80 ou 90, provavelmente o filme se tornaria um clássico, amado até pelas gerações atuais e reprisado incansavelmente na TV, assim como grandes clássicos da época como Os Goonies, Conta Comigo e muitos outros.

Mas o filme chega em março de 2018, um mês que anda mais disputado do que o próprio verão americano! Basta ver a quantidade de arrasa-quarteirão que está chegando aos cinemas e Pedro Coelho corre o risco não só de ficar ofuscado, mas de ser interpretado como um produto oportunista em lançar um coelho como protagonista às vésperas do feriado da Páscoa.

Marketing à parte, Pedro Coelho é um filme absolutamente delicioso de se ver, uma grata surpresa em meio à grandes promessas para o ano e perfeito para a família inteira curit, independentemente da ocasião e da mídia escolhida.

Pedro Coelho é baseado na obra de Beatrix Potter, Peter Rabbit, que já havia sido muito bem retratada em Miss Potter (com Renée Zellweger e se passa no interior da Inglaterra, em uma casa de campo, onde um senhor ranzinza, Sr. McGregor (um quase irreconhecível Sam Neill) tem que lidar com os coelhos invadindo sua horta. Mas, após um acidente seu sobrinho de Londres, Thomas, vivido por Domhnall Gleeson, assume a casa e se torna mais implacável com os animais do local.

Coelho3Thomas está de olho em uma promoção em uma loja de brinquedos na qual trabalha há um tempo, precisa controlar seu temperamento e o filme mostra sua mudança de paradigmas, da cidade grande para o campo.

Neste cenário também temos a presença de Bea, vivida por uma Rose Byrne absolutamente apaixonante, vizinha da casa do campo em questão, mas é mais benevolente com os animais, tornando-se quase uma figura materna.

Já o protagonista, Pedro, é uma espécie de líder dos animais, mas que precisa controlar seu ego com todos, inclusive com os humanos.

O filme é quase todo em CGI, que é bem feito, mas que soa artificial em alguns poucos momentos, sobretudo quando a trama vai para Londres, quando a cidade apresenta mais cores do que conhecemos e destoa da realidade.

O mesmo não pode se dizer do roteiro, com alguma conveniência aqui e ali para acelerar a história, sobretudo em seu apressado terceiro ato, mas que é calculado perfeitamente para atrair a todos, independentemente de conhecer a obra original ou não.

Coelho1Mas o envolvimento com os personagens, humanos ou não, é imediato e cobre qualquer falha de roteiro, ritmo ou de computação gráfica: tanto os coelhos quanto os demais animais do campo estão absolutamente irresistíveis. Pedro é, obviamente, o protagonista, mas engana-se quem acha que o filme é só ele ou quem acha que ele seja o foco da trama. Há um interessante dilema entre irmãs, lições sobre amizade e família, sem cair na pieguice.

E no lado humano, sobretudo no que diz à Bea e Thomas, ele ainda com a cabeça na grande metrópole, ganha contornos de mais humanidade na presença dela, uma pintora que busca inspiração justamente na vida real à sua volta. A química entre Rose Byrne e Domhnall Gleeson é, surpreendentemente, boa.

Coelho5O elenco de vozes ainda conta com nomes como Margot Robbie, Daisy Ridley, James Corden, Elizabeth Debicki, entre outros. E Will Gluck se mostra mais uma vez versátil na direção: da comédia adulta Amizade Colorida à ótima A Mentira, desta vez ele vai para um lado mais infantil e não menos interessante.

O resultado é um filme que merece ser descoberto, apreciado e que, na iminência de um sucesso deste filme, pode fazer com que o público descubra a grande obra da saudosa Beatrix Potter.

Uma mídia leva à outra e quem acaba ganhando com isso somos nós.

nota-critico

Nerd: Raphael Brito

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