Gringo critica a sociedade atual e diverte

Hoje em dia, para um filme emplacar e cair no gosto do público não basta apenas ter um grande ator ou atriz no pôster. Obviamente, um grande astro chama o filme, mas este não é o único motivo que leva as pessoas ao cinema. Há vários fatores, como o fator franquia, boca-a-boca ou disponibilidade, mas por muito tempo, Hollywood dependia de suas estrelas para chamar público. As pessoas iam ao cinema para ver o filme daquela atriz ou ator.

É justamente por isso que não é difícil imaginar que se Gringo – Vivo ou Morto, que chega aos cinemas em maio de 2018, estreasse nos Gringo2anos 80 ou 90, provavelmente seria um megassucesso, não só nos cinemas, mas no home vídeo também. Mas como o filme está estreando bem no meio do verão americano e entre lançamentos gigantes como Vingadores – Guerra Infinita, Han Solo e Deadpool 2, e se contar o marketing modesto que o filme segue recebendo, ele corre o risco de cair, logo, no esquecimento.

E isso é uma pena, pois Gringo – Vivo ou Morto é muito bacana, absolutamente delicioso de se ver e com um grande elenco, afinal, não é todo filme que consegue juntar nomes como David Oyelowo, Joel Edgerton, Charlize Theron, Amanda Seyfried, Sharlto Copley e Thandie Newton. 

Gringo já começa de uma forma que prende o espectador: antes de subirem os créditos de abertura, vemos uma ligação a um empresário onde um amigo liga desesperado dizendo que está sequestrado e que os criminosos exigem uma quantia alta de dinheiro. Depois disso a ação do filme acontece. Mas, afinal, o que está acontecendo? Porque a pessoa sequestrada foi ligar justamente ao seu amigo que é empresário? O sequestro é real ou forjado?

E conforme o filme vai passando, as peças vão se encaixando e as perguntas são respondidas.Gringo4
Esperamos que não saiam sinopses mais explicativas, pois a parte mais divertida de Gringo é justamente ir descobrindo o próximo passo junto com o que se vê em tela. E conforme o filme passa mais interessantes os personagens ficam. Mesmo aqueles feitos para receber a torcida do público, como os que mais se aproximam dos vilões.

Gringo pode incomodar algumas pessoas: alguns personagens – os ditos “vilões” – fazem diversas piadas e comentários racistas, sobretudo ao personagem de David Oyelowo, contra a cultura mexicana e uma classe social, supostamente inferior.

Só que está é justamente a critica do filme: a xenofobia, racismo, arrogância e o jogo de interesse, mas o roteiro usou os próprios personagens para fazerem isso em tela. O público pode ficar indignado, mas esbarramos com comentários assim diariamente.
E o roteiro faz isso de forma muito divertida: a crítica social existe, mas não há sinal de urgência ou de denúncia social.

Gringo3Gringo mais se aproxima de um roteiro de Tarantino ou de Robert Rodriguez, a crítica está lá, mas o intuito é divertir seu espectador. E consegue. São quase 120 minutos com um ritmo acelerado, muito pautado na boa montagem e com mais de um núcleo que move a história, mas o filme não seria o mesmo sem o carisma do elenco: todos estão bem em seus papéis, com destaque a David Oyelowo, o Martin Luther King de Selma, que, além do talento dramático já apresentado, tem um bom timing cômico.

O único problema aqui é a proporção das tramas: o roteiro dá mais ênfase na trama de Richard, papel de Oyelowo, o que faz todo sentido, mas, paralelamente, também acompanhamos o núcleo da Sunny, personagem da Amanda Seyfried, que simplesmente some de tela quando convém ao roteiro. E quando as histórias finalmente se juntam, o resultado é muito abaixo do esperado.

Mas apesar dessa ressalva, é muito bom ver um filme de período de verão que não pertence a franquia ou que não é continuação nem reboot. Vale uma chance.

Nota-do-crítico-4

Nerd: Raphael Brito

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