Estrelas de Cinema Nunca Morrem: filme e história que merecem serem descobertos

Há coisas que somente as artes podem fazer pelo grande público, seja o cinema, a TV ou a literatura: existem histórias que são tão boas e tão surreais ao mesmo tempo que elas só poderiam ser reais. E descobri-las através de um filme, uma série ou livro pode ser uma experiência tão mágica quanto reveladora.

Não faltam exemplos para isso: filmes como Dois Filhos de Francisco, Estrelas Além do Tempo, The Post e séries como Narcos ou American Crime Story se tornam melhores quando o espectador não conhece a história e é surpreendido com o que vê em tela.
Estrelas3E é justamente essa sensação que acontece quando se assiste Estrelas de Cinema Nunca Morrem.

O filme é baseado no livro de Peter Turner, Film Stars Don’t Die in Liverpool, onde o próprio Peter conta o caso que ocorreu, no início dos anos 80, entre ele e a estrela de cinema, Gloria Grahame, que era cerca de 3 anos mais velha do que ele.
Mas tanto o livro quanto o filme vão além de mostrar apenas uma história de amor: é uma história sobre redescoberta, afinal, Gloria já fora do primeiro time de Hollywood no passado, havia ganhado um Oscar em 1953 por The Bad and The Beautiful, mas, agora no fim da vida, vivia no ostracismo.

Além disso, Estrelas de Cinema Nunca Morrem é uma história de um jovem com um potencial claro, que enfrenta preconceitos, sobretudo da família, mas que prefere seguir seu coração ao invés de seguir os instintos, como muitos na idade dele fariam.Estrelas1
O filme tem uma técnica interessante: a fotografia, sobretudo a direção de arte, remete à época em que ele se passa, tanto a reconstrução quanto os costumes estão todos aqui: desde assistir Alien – O 8º Passageiro nos cinemas ao figurino típico da época.

A Montagem do filme faz um grande trabalho na transição entre passado e presente, já que a história se passa tanto em 1979 quanto em 1981, mostrando desde quando o casal se conheceu, o auge da relação e a decadência. A Edição vai intercalando esses momentos e em algumas vezes não fica claro em que ano a história está, deixando a cargo da interpretação e imaginação ao espectador.
Estrelas5Annette Bening faz uma Gloria Grahame sublime e verdadeira e está na galeria de seus melhores papéis, ao lado de filmes como Beleza Americana, Bugsy e Adorável Júlia.

Ela recebeu uma indicação ao Bafta por este papel, é difícil dizer se ela poderia estar no Oscar porque a safra de atrizes foi muito positiva este ano, mas justamente porque este filme foi quase ignorado nas premiações norte-americanas é que poucos o viram, e ele merecia uma melhor chance nas bilheterias.

Jamie Bell, que também foi indicado ao Bafta, faz um Peter apaixonado e inseguro, como ele mesmo se descreveu no livro, mas é justamente por isso que seu personagem se torna crível e humano. É seu melhor papel desde Billy Elliot, de um distante ano de 2000.

Dificilmente Estrelas de Cinema Nunca Morrem fará o sucesso comercial que merece nos cinemas brasileiros. Deve ficar ali restrito aos cinemas de filmes alternativos e também a distribuidora resolveu estreá-lo junto com o arrasa-quarteirão Vingadores – Guerra Infinita, mas, seja nos cinemas, em DVD, na TV ou até na literatura, essa é uma história que não merece ficar desconhecida e só melhora conforme o público tem mais informações.

É uma das qualidades de uma grande história.

nota-critico

Nerd: Raphael Brito

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