Fala Sério, Mãe! Uma grata surpresa no fim de 2017

É perdoável dizer que não se esperava nada de ‘Fala Sério, Mãe!’, já que o título contém uma gíria, parecia uma ideia de aproveitar o sucesso midiático de Larissa Manoela e o cinema brasileiro ainda insiste com comédias supostamente televisivas.

Serio1Mas, a boa surpresa é que ‘Fala Sério, Mãe!’ é um grande filme brasileiro, merece uma chance com o grande público, apresenta um grande roteiro sobre relação mãe e filha e não é bem uma comédia: há momentos cômicos sim, deve divertir muito o espectador, mas ele é mais um drama do que comédia.

O filme é baseado em um livro homônimo da Thalita Rebouças e é, basicamente, dividido em dois: primeiro temos a história sob o ponto de vista de Ângela (papel de Ingrid Guimarães), que começa como mãe insegura e de primeira viagem e super protetora na educação de seus 3 filhos, passando pela infância até chegar na conturbada adolescência.

Depois a história é sob o ponto de vista de Malu (Larissa Manoela), a filha mais velha de Ângela, já uma adolescente e tendo que conviver com os dilemas da idade e todas as pressões que qualquer um vive nesta faixa etária.

A linguagem do filme é muito parecida com a de um livro e a possível aceitação pública deste longa, pode fazer com que este e outros livros da autora sejam descobertos pelo grande público.

Serio2O roteiro (também escrito por Ingrid Guimarães) foi feliz não só em abordar os dois pontos de vista, mas em ser imparcial no tratamento dos personagens: não há pessoas certas ou erradas, todos têm razões e motivos. O que vemos aqui é uma mãe e uma filha que se amam, mas que uma precisa se colocar no lugar da outra.

É muito fácil julgar a geração atual quando se chega a uma certa idade e achar que na época da pessoa era tudo melhor e este filme deixa claro que, independentemente da idade, somos todos iguais: o mundo muda, a tecnologia e os costumes também, mas, lá no fundo, somos todos iguais.

Quem se lembrou da célebre música de Renato Russo, ‘Pais e Filhos’ ou a canção da Elis Regina, ‘Como Nossos Pais’, está muito certo.

Serio3Ingrid Guimarães está muito à vontade no papel. Quem assiste alguma matéria ou entrevista com ela. vê o carinho e dedicação dela com este filme. Não é fácil ser a protagonista e a roteirista ao mesmo tempo.
Larissa Manoela se encaixou como uma luva no papel de uma adolescente cheia de vontades e que quer independência da mãe, ou seja, uma adolescente normal.

Ela está longe de ser uma atriz ruim (muito pelo contrário!), mas até agora não havia sido exigida em sua carreira e sua presença aqui foi fundamental – não só pela representação da idade e da grande química com Ingrid, mas também por se tratar de uma pessoa com milhões de seguidores nas redes sociais que pode fazer com que uma geração se interesse pelo hábito da leitura.

‘Fala Sério, Mãe!’ é um filme curto, o que o torna mais acessível, mas que os envolvidos poderiam usar mais 15 ou 20 minutos para dedicar aos outros personagens além da dupla principal, como o pai e os outros dois irmãos, mas o sentimento na saída do filme é de extrema felicidade em um filme que merece ser visto por crianças de 8 a 10 anos e deve ilustrar qualquer debate sobre a criação de filhos adolescentes.

Nota

Nerd: Raphael Brito

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